Os Trapalhões – Segunda Parte

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No auge da popularidade o grupo contava com outros comediantes que ficaram fixos no programa.

Entre os quais cito: Roberto Guilherme, o eterno Sargento Pincel (um quinto Trapalhão que ficou com o grupo durante toda sua trajetória), Tião Macalé (que popularizou o bordão: “Ih! Nojento!”), Jorge Lafond (que satirizava os homossexuais), Felipe Levy (sempre fazendo o papel de “chefe” ou “comandante”), Emil Rached (o gigante atrapalhado de 2,23m), Carlos Kurt (o alemão mal-humorado), Dino Santana (irmão de Dedé Santana), o anão Quinzinho entre muitos outros.

Nesse período no qual faziam bastante sucesso o grupo comemorou seus quinze anos de existência. A emissora veiculou o especial Os Trapalhões – 15 anos, exibido no domingo, dia 28 de junho de 1981.

Foram sete horas de apresentação, com a participação de praticamente todo elenco da Rede Globo (incluindo jornalistas e músicos convidados). Foram onze quadros e uma campanha em prol dos deficientes físicos.

Os Trapalhões conseguiam atingir um enorme público infantil e tiveram uma grande repercussão após participarem do Festival de Berlim (Bernilale), um dos mais importantes festivais de cinema da Europa e também do mundo.

A partir deste momento tanto o público, quanto os críticos passaram a ver Os Trapalhões como os principais representantes nacionais da comédia em nosso país.

Chega de enrolação e vamos ao texto

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O Incrível Monstro Trapalhão – 1981

Desta vez temos uma história que aproveita o enredo do famoso livro O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson.

É o meu filme favorito de todos, pois o roteiro também faz parodia aos super-heróis: Super-Homem e O Incrível Hulk (seriado com Bill Bixby e Lou Ferrigno).

Nesta aventura, estamos no universo das corridas. O galã da vez é o piloto Carlos Alberto (Paulo Ramos) que possui uma inimizade acirrada com Hugo (Eduardo Conde), um piloto inescrupuloso que usa sempre seus asseclas em suas tramóias.

Enquanto, Kiko (Dedé), Sassá (Mussum), Quindim (Zacarias) e Jegue (Renato Aragão) compõe uma bastante atrapalhada equipe de mecânicos envolvidos em diversas confusões.

Mais o Dr. Jegue é um cientista tão inteligente, quanto atrapalhado que inspirado no Super-Homem (vemos um poster com arte de Curt Swan em seu laboratório) cria uma fórmula secreta para torná-lo forte e bonito como o referido herói.

Só que o tal experimento dá errado e surge um enorme monstrengo mais parecido com um homem das cavernas. E através do mameleiro nordestino também acaba criando um combustível especial que pode até substituir a gasolina.

Obviamente o filme é muito divertido devido ao quarteto que demonstra um entrosamento muito grande em suas cenas. Devo comentar que Renato demonstra um ar de tristeza tipo Carlitos (Charles Chaplin), pois está apaixonado pela Ritinha (Alcione Mazzeo) que não lhe dá a mínima.

No filme ainda temos o Sr. Correção (Wilson Grey), um banqueiro que deseja receber o aluguel dos mecânicos e também os eternos vilões Felipe Levy e Carlos Kurt que dão vida ao Russo e o Árabe.

O Incrível Monstro Trapalhão ficou melhor desenvolvido, pois não há muitos efeitos especiais em suas cenas. Fato que não atrapalha seu desenvolvimento, as atuações são simples e seus personagens bem plausíveis. É claro que o fato de parodiar os referidos heróis é um ótimo ponto a seu favor.

Só pra fechar não sei se naquela época já existia algum tipo de pesquisa relacionada ao biocombustível, no entanto pra mim essa foi uma grande sacada dos roteiristas.

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Os Saltimbancos Trapalhões – 1981

A história original surgiu do conto Os Músicos de Bremen dos Irmãos Grimm que deu origem a uma peça teatral Os Saltimbancos, de Sergio Bardotti, Luis Enríquez Bacalov e Chico Buarque.

O filme Os Saltimbancos Trapalhões é uma adaptação desta história que foi dirigido por J.B. Tanko.

Só pra constar, o picadeiro usado neste filme pertencia ao Circo Irmãos Power.

Neste filme, Didi, Dedé, Mussum e Zacarias são funcionários do Grand Circo Bartholo, porém devido as confusões que fazem diante do público (acabam agradando e se transformando na maior atração).

O problema é que o grupo é explorado pelo Barão (Paulo Fortes), o inescrupuloso dono do circo.

Infelizmente aqui ainda vemos aquela velha fórmula sendo explorada, pois Didi está apaixonado pela bailarina Karina (Lucinha Lins), filha do Barão. Enquanto a moça está interessada no Frank, um acrobata que também despertou a atenção de Tigrana (Mila Moreira).

O vilão da vez é Assis Satã (Eduardo Conde), um maldoso mágico e hipnotizador que é sócio do Barão no circo.

Como já foi comentado antes, devido ao sucesso que o grupo faz, o Barão começa a explorá-los, mas Frank une-se a eles conscientizando contra o dono do circo.

Infelizmente, ainda vemos aquele negócio chato do Didi ficar apaixonado pela mocinha e perdê-la pro galã da vez.

Mais nem preciso comentar que tem muitas cenas engraçadas como o hipnotismo que dá errado com a frase clássica: “vou te popotizar”.

A trilha sonora do filme era um disco que contava com as participações de Bebel Gilberto, Elba Ramalho, Chico Buarque, Lucinha Lins e também dos Trapalhões.

Mais a minha preferida de todas é Piruetas, que ficou inesquecível em minha memória ao longo destes anos.

Pra mim é o melhor filme de todos do grupo e consta como uma das maiores bilheterias do cinema nacional levando mais de 5 milhões de pessoas pro cinema.

Em 2017, tivemos o remake Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood

Na trama, o Grande Circo Sumatra está em meio a uma grande crise financeira desde a proibição de animais em espetáculos e Barão (Roberto Guilherme), dono do circo, acaba aceitando fazer leilões de gado, comícios e outros eventos alternativos no circo. Didi (Renato Aragão), Dedé (Dedé Santana) e Karina (Letícia Colin), artistas do circo, estão infelizes com a situação e decidem montar um novo número e, assim, tentar atrair o público novamente.

Os Vagabundos Trapalhões

Os Vagabundos Trapalhões – 1982

É o nono filme do grupo dirigido por J.B. Tanko.

Na história, o vagabundo Bonga (Renato Aragão), Loló, sua namorada Loló (Louise Cardoso), Dedé, Mussum e Zacarias vivem numa caverna (perto da periferia).

Bonga e seu grupo cantam e dançam próximos as boates e discotecas pra ganhar algum dinheiro. Porque vivem percorrendo as ruas do Rio e recolhendo crianças orfãos que foram abandonadas.

Num dia chega até eles Pedrinho (Fábio Villa Verde), um menino rico, porém infeliz por causa da falta de atenção do seu pai Ricardo (Edson Celulari), um empresário industrial bastante ocupado.

Pedrinho foge de casa conta uma mentira pra Bonga e se junta ao grupo. Mas devido ao desaparecimento do garoto, Ricardo pede ajuda da professora Juliana (Denise Dumont).

O problema surge quando Ricardo oferece uma recompensa pra quem encontrar seu filho desaparecido. Já que bandidos descobrem aonde está e o sequestram pra conseguir a grana.

Nesse filme mesmo que sendo abordado de uma maneira leve e divertida. Há uma grande preocupação de mostrar uma realidade que infelizmente ainda existe. As crianças que são abandonadas pelas ruas por seus pais.

Bonga demonstra ter um bom coração recolhendo-as e sempre arranjando uma forma de ludibriar as pessoas pra adota-los.

Pra fechar, nem preciso comentar que é divertido, pois apenas de ver o grupo em cena isso se torna óbvio.

Fim da segunda parte e relembre do texto anterior aqui.

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